14.10.12

carta para um leonino

depois daquele ponto
você pode fingir

mas 'aquele exato momento'
que pode ser o segundo
o minuto
a semana
o mês
ou a vida
que precede o temido

sempre será o ponto
que não pode ser esquecido

você diz que vai fazer isso e aquilo
diz que vai mudar

acato a mudança que houve (somente) em minha mente
abstraio seus atos patéticos
e finjo

enquanto isso espero minha própria reação
porque fingir, também é patético

posso dizer que somos parecidos até nisso
dois babacas aguardando suas próprias reações
abstraindo a verdade
e fingindo que a vida vai bem

7.10.12

escrevo coisas para pensar
como quem pensa falando

escrevo métodos
nenhuma cartilha que seja contemplada após
é assim, esqueço-me
o fio invisível de coisas não lineares
porém escritas

que um dia quem sabe a curiosidade me faça retornar
pois escrevo coisas para entender
mas se esqueço-me
quer dizer que não entendi?

se pensar de novo, é não, óbvio
cerébro inútil

complexando métodos
e esquecendo pensamentos
qual a utilidade então

lembro-me de coisas diversas, mas parciais
partes de filme que não recordo o nome
letras de músicas

posicionar os dedos no violão
sem saber se é sol, lá
se é maior ou menor

coisas dos outros
e as minhas onde estão,
cérebro inútil?